25 de junho de 2009

Duas vidas, dois amores







Te vejo
dormir agora. Um sono sereno, tranqüilo, de quem nada teme, nada deve. Respiração profunda, seu corpo esquentando a cama que um dia já foi nossa e parecia pequena e que agora é fria e tão grande que muitas noites me parece infinita. O seu coração bate forte, mas não mais por um amor que já foi meu, só meu e de mais ninguém. Fico tentando adivinhar se eu estou nos seus sonhos ou se nele habita outra pessoa, chego a rir de mim mesma e me acho tola. Chego mais perto de voce, sinto o seu cheiro, o perfume ainda é o mesmo, o jeito de dormir de lado com os braços cruzados ainda é o mesmo tb, mas tudo na nossa vida mudou, menos oq já fomos. Me conforta, pensar que o que representamos um na vida do outro nunca se apagará porque não chegamos a destruir o que havia de precioso em nosso sentimento. Mas e agora? O que será de nossas vidas? Me sinto só sem os seus braços longos me protegendo, seu sorriso me incentivando, suas palavras me chamando a razão.
Lembro do nosso primeiro beijo, não éramos mais adolescentes, mas naquele momento nos sentíamos como tal, as mãos tremiam e suavam, os olhos brilhavam tanto que podiam iluminar qualquer escuridão, o frio na barriga me fazia tremer cada vez mais, o meu corpo inteiro chamava por voce. Eu pensei em dizer agora que éramos felizes e não sabíamos, mas não seria verdade, nós sabíamos sim. Ah e como sabíamos! Nós preenchemos o vazio que existia na vida um do outro, nos complementamos, compartilhamos momentos, enxergamos a vida sobre a ótica do outro como se um óculos mágico estivesse sobre as nossas vistas e nos fizesse ver tudo cor de rosa. Nós gargalhamos sem motivos aparentes e enquanto o resto do mundo sobrevivia pisoteados pela rotina, nós escrevíamos uma linda história de amor no caderno de nossas vidas. Nós juramos nos amar para sempre. Prometemos não nos sufocar com cobranças. Quebramos o juramento, quebramos a promessa, rompemos o amor. Não, nós rompemos o relacionamento porque o amor no sentido pleno da palavra sobrevive em algum lugar mesmo que escondido dentro do peito. Não posso negar que me sinto uma fração de mim mesma nesse instante, ainda não consegui me acostumar com os novos pronomes, afinal desde o primeiro dia em que nossos olhos se cruzaram eu deixei de ser EU para ser NÓS até o dia em que tudo começou a ruir e eu deixei de ser NÓS para ser TU apenas, me anulando, me deixando por vezes levar pela acomodação, agora tenho que me acostumar a ser apenas Eu novamente. EU sem TU, é estranho isso. Agora te vejo assim, dormindo sobre os sonhos que eram nossos e ruíram, mas olho para os lados e vejo muitos dos nossos sonhos em comum realizados e ainda erguidos. Eu devo muito a você meu amor, meu companheiro, meu abrigo e espero você se levantar para eu poder olhar nos seus olhos e ver que você perdeu o título de marido, ganhou o de amigo, mas ainda assim é o homem da minha vida, o meu grande amor, venha ele com o título que for.Eu
Jô Ferraz

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