16 de dezembro de 2007

Cárcere


Cárcere

Ta bom, eu sei que eu não sou nenhum exemplo de transparência e que muitas vezes eu pareço tanto escorregadia quanto indiferente. Mas a verdade é que eu não sei muito bem o que fazer com essa meia dúzia de sentimentos que se espalha pelo meu corpo cada vez que você avança porta a dentro e tem horas que, querendo recuperar a naturalidade que sua presença me rouba, eu acabo mesmo pondo os pés pelas mãos e estrago o dia todo num minuto.

Acho que eu perdi de vez o jeito, sei lá. Ou talvez eu tenha cansado dessa coisa toda de conquista, um tal joguinho de azar em que se promete um mundo inteiro e a única coisa que se cumpre é quase sempre uma guerra de egos hipertrofiados e cheios de uma vaidade estúpida. Uma guerra na qual o amor é arma e o orgulho escudo.
Tudo bem, eu concordo que você não tem que pagar pela coleção de desilusões que acumulei ao longo da vida e até acho que a doçura do seu sorriso merecia um pouco mais de credibilidade por parte desse meu coração desconfiado. Mas é que às vezes é difícil controlar esse medo que me invade de súbito quando percebo como seria fácil, senão inevitável, derreter-se pelo seu jeito de olhar de baixo para cima, como quem pede licença para entrar dentro da gente. E aí, em reação, eu me afasto porque não conheço outra forma de mitigar essa vulnerabilidade que cega e assusta e que abre todas as portas da alma sem qualquer critério de seletividade.

O fato é que eu me tornei uma perfeita covarde, daquelas que se esconde por trás de mil grades para fingir que é livre. Por isso, tudo o que lhe peço é um pouco mais de paciência e até mesmo persistência para me ajudar a destravar os cadeados. De alguma forma, eu sei que você tem as chaves

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